Meio da manhã: Ciudad Vieja
Estacione perto da Avenida Uruguay e entre a pé. O primeiro destino é a Plaza Independencia, a dobradiça fundamental entre a cidade velha de Montevidéu e sua expansão do século dezenove — um espaço que, antes de as muralhas coloniais caírem, era o interior da fortaleza principal da cidade. O arquiteto paisagista Carlos Thays (o mesmo francês que projetou os parques de Palermo em Buenos Aires) deu à praça sua forma atual em 1905, plantando as 33 palmeiras que emolduram os jardins formais da praça. O número não é acidental: evoca os Treinta y Tres Orientales, o bando de patriotas que atravessaram o Rio da Prata em 1825 para acender o levantamento que conduziu à independência uruguaia. No centro está a estátua equestre de 17 metros de José Gervasio Artigas, o herói fundador nacional, obra do escultor italiano Ángel Zanelli — inaugurada em 1923 e vigiada desde então por dois guardas cerimoniais uniformizados como os Blandengues, o regimento que ele certa vez liderou. Sob a estátua, escadas de granito descem para o mausoléu subterrâneo onde os restos de Artigas repousam desde 1977, em uma câmara de granito iluminada por um único raio de luz natural.
A praça é ladeada pelo Palacio Salvo — em sua inauguração de 1928 o edifício mais alto da América do Sul, projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, que construiu um gêmeo quase idêntico na Avenida de Mayo em Buenos Aires — e pela Puerta de la Ciudadela, o último portão remanescente da fortaleza colonial, que agora marca a entrada para a Peatonal Sarandí. Atravesse-a e você está dentro de Ciudad Vieja propriamente dita.
A Peatonal Sarandí é a espinha dorsal de pedestres da cidade velha, correndo a oeste do portão da Ciudadela até a Plaza Constitución. É onde a vida cotidiana do bairro se desdobra ao nível da rua: galerias de arte, livrarias antiquárias, barracas de artesanato, algum músico se instalando em uma porta. A arquitetura ao seu redor abrange dois séculos sem aparente constrangimento — fachadas coloniais ao lado de edifícios comerciais art déco ao lado de inserções mais recentes — e a rua se alarga em intervalos formando pequenas praças e passagens cobertas. No fim, desemboca na Plaza Constitución, a praça mais antiga de Montevidéu e o coração da cidade tal como existia antes de as muralhas coloniais caírem. Em seu flanco ocidental fica a Catedral Metropolitana, a principal igreja católica de Montevidéu, construída em 1790 no sítio de uma pequena capela de tijolos que havia estado ali desde 1740 e elevada ao status metropolitano pelo Papa Leão XIII em 1897. Frente a ela, do outro lado da praça, está o Cabildo, um edifício neoclássico de pedra concluído em 1812 que serviu, em seu tempo, como sede de governo, tribunal de justiça, delegacia, cadeia e parlamento — todo o aparato da administração colonial comprimido em uma única quadra. Agora abriga um pequeno museu histórico com pinturas do século dezoito e artefatos do período fundacional da cidade, e a entrada é gratuita. A partir da Plaza Constitución é uma curta caminhada rumo a noroeste até a orla e o Mercado.