Este dia transita entre duas fronteiras muito distintas: o limite natural do Rio Uruguai e a fronteira cultural onde a Europa jesuíta encontrou a América guarani. A estrada as conecta pelo noroeste florestal do Rio Grande do Sul, com o Parque Estadual do Turvo marcando o ponto de parada pela manhã.
Cruzando o Rio Uruguai
O dia começa às 8h em Itapiranga, na margem catarinense do Rio Uruguai. O rio marca aqui a divisa entre estados, e a travessia é feita de balsa — a Banca Aliança que funciona 24 horas entre Itapiranga e Barra do Guarita, um percurso breve até a margem do Rio Grande do Sul. O Uruguai é um rio largo e barrento neste trecho, com terras de cultivo e barrancas arborizadas que descem até a água dos dois lados. A travessia dura apenas poucos minutos, mas marca um momento significativo no ritmo do dia: é um verdadeiro limiar, uma passagem física de um estado para o outro, antes de a estrada continuar na margem oposta.

De Barra do Guarita, a rota segue para o sul e leste pelo interior agrícola da região do Alto Uruguai. A paisagem aqui é característica do noroeste gaúcho: morros suaves, floresta secundária densa intercalada com cultivos de soja, tabaco e pequenas operações de laticínios. Os pueblos no caminho trazem as marcas da colonização alemã e italiana que se expandiu por esta parte do estado no final do século XIX e início do XX, irradiando-se das zonas coloniais mais antigas mais a leste. A rodovia é funcional e asfaltada, sem particularidades notáveis até o desvio para o parque.