Um dia que chega ao seu destino sem pressa: uma longa travessia costeira que cruza uma fronteira estadual de balsa, atravessa a quase-selva do Pantanal Norte de Sergipe, e desemboca numa capital compacta no momento certo para vê-la do ar.
Pela Costa de Alagoas
A jornada começa cedo saindo de Maceió, rumo ao sul pela AL-101 passando por praias e campos de cana-de-açúcar até o horizonte se abrir para o limite sul do estado. O destino é Piaçabuçu antes do meio-dia, a tempo de pegar a balsa das 10 horas sobre o São Francisco. A cidade situa-se na foz do rio —o "Velho Chico", que corre 3 mil km desde Minas Gerais atravessando cinco estados até o mar— e é o único topônimo em português com duas cedilhas. O rio se abre largo e baço, as dunas captam a luz da manhã, canoas já estão na água. A travessia para Brejo Grande leva ao outro lado, para Sergipe, o São Francisco cumprindo seu papel ancestral: demarcar uma fronteira, deslocar tudo.