Chegada: São Miguel das Missões
São Miguel das Missões abriga o sítio arqueológico mais significativo do sul do Brasil. As Ruínas de São Miguel Arcanjo —os restos da redução jesuíta-guarani de São Miguel— foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1983, conjuntamente com quatro missões argentinas do outro lado do rio. O que persiste é o casco da igreja de São Miguel Arcanjo, iniciada em 1735 segundo projeto do arquiteto jesuíta italiano Gian Battista Primoli, que se inspirou no Gesù de Roma. Foi construída em arenito avermelhado por artesãos guarani sob direção jesuíta, com ornamentação entalhada à mão na fachada. A segunda torre, concebida como observatório astronômico, nunca foi concluída. Por 1886, após a expulsão dos jesuítas em 1767, décadas de abandono e ciclos de saqueamento, o telhado havia desabado e árvores enraizavam na nave.
A redução de São Miguel Arcanjo foi fundada em 1632 e em seu auge abrigou vários milhares de guarani. Esteve no centro do conflito originado pelo Tratado de Madri de 1750, pelo qual a Espanha cedeu o território dos Sete Povos a Portugal em troca de terras em outro lugar, desencadeando a Guerra Guaranítica, na qual os guarani pegaram em armas antes de abandonar a terra que haviam construído. As ruínas carregam todo esse peso em silêncio.
O Museu das Missões, projetado por Lúcio Costa e inaugurado em 1940, abriga a estatuária e a arte sacra recuperadas de toda a região dos Sete Povos —figuras de madeira policromada de santos e anjos que sobreviveram à dispersão. Ao anoitecer, começa o Espetáculo de Som e Luz, um espetáculo de sons e luzes com 48 minutos de duração projetado sobre as ruínas, narrado por vozes do teatro e cinema brasileiros. De novembro a fevereiro começa às 20h30; de março a outubro às 20h.