Chegada: Valdivia
Valdivia tem a distinção de ser a primeira cidade fundada no Chile, em 1552, embora pouco daquele período tenha sobrevivido às ondas de conflito, incêndios e ao terremoto catastrófico de 1960 — com magnitude 9,5 na escala Richter, o mais forte já registrado — que redesenhou a orla fluvial e afundou seções das margens do rio. O que define a cidade hoje é um capítulo posterior: a chegada, em meados do século XIX, de imigrantes alemães, cujo legado se manifesta na arquitetura, na confeitaria e, acima de tudo, na cerveja. Valdivia é a capital da cerveja artesanal no Chile, com dezenas de marcas que remontam à cervejaria original da família Anwandter — destruída no terremoto de 1960 — e sua descendente mais famosa, a Kunstmann, que ainda funciona a alguns quilômetros da cidade, na estrada para Niebla.
A rota desemboca naturalmente no Mercado Fluvial antes do dia terminar — um mercado de peixe em funcionamento na Costanera Arturo Prat, junto ao porto onde chegam barcos carregados com a pesca do dia, e onde uma colônia residente de leões-marinhos circula pela beira da água esperando restos de comida. É uma introdução apropriada à cidade, próxima o bastante do ponto de chegada para não precisar procurá-la depois. Dali, uma curta caminhada atravessa a ponte Pedro de Valdivia até a Isla Teja, a ilha fluvial densamente povoada por colonos alemães e hoje sede da Universidade Austral, de um jardim botânico e do Museu de Arte Contemporânea. As ruínas da antiga cervejaria Anwandter ficam perto do museu, um lembrete discreto de onde começou de verdade a tradição cervejeira da cidade, antes de a Kunstmann retomá-la décadas mais tarde.
Para jantar, o restaurante da própria Kunstmann a alguns quilômetros pela estrada de Niebla é a escolha natural em uma noite sem partida cedo prevista — comida germano-chilena, uma degustação completa das cervejas da casa, e tempo suficiente para aproveitar ambas sem estar atento ao relógio.